[Leituras] Luiz Costa Lima é destaque no Crossroads Journal da University of Queensland (Austrália)

O Prof. Luiz Costa Lima é destaque do Crossroads Journal, revista interdisciplinar de estudos de História, Filosofia, Religião e Estudos Clássicos. A revista é vinculada à University of Queensland (Austrália), e em seu número atual (Special Issue: Luiz Costa Lima Rejoinder)traz artigos que abordam a obra monumental do professor brasileiro.
A revista pode ser acessada no link e todos os seus artigos podem ser baixados como documentos pdf.



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Leituras: Birdboy, de André Resende


 ISBN: 978-85-61293-12-3
Editora: Cubzac
 Ano: 2010


Birdboy: um adolescente que pensa pelos adultos   
(Birdboy, de André Resende, CUBZAC, 2010, R$ 30,00)


Alexandre Black *





Filipo, ou Pipo, como é conhecido pelos amigos e familiares, é um adolescente que faz coisas de adolescente, passa horas e horas em frente ao PC, ou MAC, explorando as possibilidades da “rede”. Nessa outra dimensão ele é Birdboy, líder de um jogo de 100 estágios, ou Level, na linguagem dos internautas de qualquer idade. Seus pais fazem pesadas críticas à suposta alienação da “geração PC”. Um dia, seu mundo virtual é invadido por uma pessoa desconhecida que se diz chamar Yaruba e morar na África. Afirma, ainda, que está escondida e corre perigo porque o governo militar de plantão persegue a sua família, guardiã de um segredo... Seus pais, inclusive, fugiram do país e foram morar na Itália...



Yaruba pede, desesperadamente, ajuda a Filipo e total discrição. Estão sendo rastreados por forças que não são capazes de controlar: o Estado. Não podem ficar mais que uma hora por vez em bate papo ou descobrirão o seu paradeiro, demonstrando que a “rede” não é aquele lugar desprovido de censura e controle a qual muitos desejam. Intrigado com tal situação Filipo pesquisa na “rede” tudo sobre a África e seus problemas. Faz perguntas ao pai e aos professores, esses quase nunca sabem responder.  



Em Birdboy, o autor nos leva ao universo on-line de uma geração que cresceu em frente à tela de computador, teclados, mouse e joystick. Para esses jovens a Internet não tem segredos. Através das redes sociais conhecem pessoas de todos os lugares da Terra, basta um click e mais um amigo é adicionado. Se querem conhecer Londres é só abrir o Google Earth e imagens em 3D de todos os ângulos possíveis aparecerão no monitor. Sem perigo de o avião cair e sem precisar trabalhar durante seis meses para pagar a viagem, o custo da eletricidade é baixo e acessível  a todos... Bem, através de Yaruba, Filipo descobre que nem todos podem “navegar” na tranquilidade do lar, milhões nem lar tem. Em pleno século XXI coisas básicas como luz, água e, acima de tudo, liberdade, não faz parte da vida de mais da metade da população mundial.

O livro nos leva a esses lugares distantes fora da realidade de milhões de adolescentes da classe média brasileira que vivem fechados em seu mundo, e não estou falando do “planeta” Internet. Falo dos muros de dez metros de altura, das câmeras de segurança que nos espionam vinte e quatro horas por dia, dos seguranças armados que a cada novo assalto demonstram não adiantar de nada e das ruas sem crianças, portanto, vazias... Crianças mesmo só as que pedem esmolas ou assaltam os transeuntes. A África de Yaruba é a favela que vejo da janela do meu apartamento enquanto escrevo essas linhas. Intensa, a globalização ocorrida nos últimos vinte anos nos possibilita contato com todo o mundo. Mas não faz de ninguém “cidadão do mundo”, como muitos outros perseguidos políticos, ou pela miséria, Yaruba é africana e nem que ela consiga a cidadania de outro país deixará de ser, racismo existe em todo lugar. Inclusive, o segredo que ela carrega é uma verdadeira apologia a diversidade. 



De forma precisa, André Resende tenta demonstrar aos adolescentes como o planeta é maior que a Internet, mais não pensem que essa obra é uma crítica aos modernos meios de comunicação como a que o pai do nosso herói vive fazendo. Ou que a juventude “alienada” provocará a destruição da humanidade. É através de Birdboy que todos os adultos do livro poderão fazer algo para salvar uma pessoa. O jovem pouco promissor se mostra à altura da tarefa imposta a ele pelas circunstâncias. O que não se mostra à altura é o colégio: curta mais avassaladora é a crítica do autor ao sistema de ensino incapaz de acompanhar o desenvolvimento tecnológico e fazer uso dos modernos instrumentos de ensino. Para os alunos, alienados, ali, são os professores, sempre falando de coisas que hoje, para milhões de crianças, só existe dentro da sala de aula. Da porta pra fora, o mundo é online e interativo e sem os incentivos certos, como a Internet, não esperemos que nossas crianças aprendam a amar, ou pelo menos gostar, do simples e maravilhoso ato de ler.

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Alexandre Black é historiador e escritor. Atualmente, conclui o mestrado em história na UFPE. xandeblack2@yahoo.com.br


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Poetas Metafísicos Ingleses


John Donne

Influenciados pelo Barroco continental europeu e retirando o seu material poético de um subjetivismo que andava de braços dados com o misticismo cristão e o erotismo, os poetas metafísicos ingleses utilizavam imagens pouco usuais, consideradas anti-poéticas para a época (século XVII). Exemplo disso é o poema de John Donne presente em Songs and Sonnets no qual as pontas de um compasso representam dois amantes: a mulher que é a caseira, esperando, começando no centro, o ponto mais distante inicia sua viagem de amor partindo dela. Mas quanto maior a distância, mais as pontas se inclinam sobre si mesmas: separação faz o amor crescer em adoração.
O paradoxo é uma constante na poesia metafísica onde os medos e a angústia também falam de um mundo de verdades espirituais balançadas pelas descobertas científicas que retiraram do homem o seu lugar de centro do universo.

John Donne [Dull sublunary love's love]


Dull sublunary lovers' love
    —Whose soul is sense—cannot admit
Of absence, 'cause it doth remove
    The thing which elemented it.

But we by a love so much refined,
    That ourselves know not what it is,
Inter-assurèd of the mind,
    Care less, eyes, lips and hands to miss.

Our two souls therefore, which are one,
    Though I must go, endure not yet
A breach, but an expansion,
    Like gold to aery thinness beat.

If they be two, they are two so
    As stiff twin compasses are two ;
Thy soul, the fix'd foot, makes no show
    To move, but doth, if th' other do.

And though it in the centre sit,
    Yet, when the other far doth roam,
It leans, and hearkens after it,
    And grows erect, as that comes home.

Such wilt thou be to me, who must,
    Like th' other foot, obliquely run ;
Thy firmness makes my circle just,
    And makes me end where I begun.


Mais poemas dos principais poetas da época no site Luminarium (em inglês - clique para acessar)
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Augusto de Campos - O pós-utópico na projeção da memória ao futuro

Augusto de Campos é destaque da edição especial do Mnemozine, do site Cronópios

O poeta, tradutor e crítico literário Augusto de Campos, uma das cabeças pensantes do Concretismo é matéria da edição especial do Mnemozine, que o homenageia pela passagem dos seus 77 anos neste mês. Além de traduções, artigos e poemas dele traz uma longa entrevista na qual ele reafirma o seu espírito vanguardista a partir do "princípio-esperança" termo tomado de empréstimo a Ernst Bloch que funda a perspectiva utópica, lançando-a ao futuro, para então reaver o presente. Discorda de quem acha que vanguarda é efemeridade, chamando a atenção para os "vanguardistas" que conseguiram o seu status de permanência.

Para conferir o especial sobre Augusto de Campos além das outras matérias, clique no link abaixo:


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